A MENTIRA SERPENTEIA A VERDADE

A indução da serpente no Eden foi a pior e mal calculada investida dentro da história humana. "É assim mesmo que Deus disse?" - esse golpe foi quase mortal. Não dá pra imaginar como seria a extensão do estrago do cinismo se lograsse êxito. O alvo era a vida. Foi a serpente quem errou o alvo.

Expulsos da inocência, o casal perambulou entre o deserto, templo da morte e labirintos da dúvida, espaços da angústia.


A serpente caminha ágil. Disfarça seu ódio de mãos dadas com a religião. Na contramão do tempo, a serpente corre contra o verbo que haveria de surgir no tempo da sua desgraça.


A verdade já estava preparada antes da fundação do mundo para contrapor propósitos. No tempo reinava o verbo. Vestido de linho fino, o verbo, desde o princípio, era Deus.


O verbo se fez "carne"; posteriormente ganha vozes.


A serpente insistiu, e seduziu o verbo lá no deserto. Pareou com a usurpação. Fortaleceu-se na falácia e na corja das palavras incoerentes. Todos se unem à mentira. Todos semeam incertezas. Todas as respostas profanam perguntas.

A vida é convidada a evitar a morte. A vida manda sair o mal da boca do incauto discípulo. Ao longe, a serpente se esgueira pelas beiradas dos rios e das montanhas. Assistia milagres, mas não aplaudia. Emudecia quando a palavra prometia imortalidade. O morrer na terra tem como lucro o renascer de novo e para sempre - ensinava o mestre.


O primeiro casal do Eden não fora pego de surpresa. Eles foram avisados - cuidado com a palavra que mata! - disse Deus. Sabendo disso a serpente até hoje chacoalha seu guizo de alegria desde o Eden. Houve erros. Expulsos, restou ao homem e a sua mulher a busca da verdade por eles perdidas.

A vida um dia morreu? Mataram a vida? Então... A fé fracassou?

O Mestre da vida ensinou que a fé é a intersecção das revivências que oxigenam a esperança. Continua a fé viva quando é firmada na esperança, na certeza de ver tudo o que ainda é invisível, palpável. Palatável!

O fé do diabo debocha dessa pregação da crença no invisível. A verdade fora fracionada no Eden em dúvidas - pensa ele - Isso aconteceu pela indução da serpente. A incredulidade hoje é servida como prato frio. Sobre a mesa farta da mentira, qualquer crença vulneraliza certezas. Sarcasmos são servidos como sobremesas.


Houve um tempo em que a morte insistiu e resistiu. Insistiu em dar a palavra final. A vida entra novamente na mira da morte. O apóstolo, percebendo isso, desafiou: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" Esperou... Esperou a resposta... Não ouviu nem respostas, nem certezas. Ouviu só o silêncio.

A serpente, num canto qualquer da mal cheirosa rejeição, ainda hoje desafia as palavras da vida:


- Considerando que tais palavras ainda transitam em promessas, por isso, essas palavras são apenas promessas futuristas! Irreais! Não merecem crédito. Incredulizar a fé depende de qualquer um. Quem assim fizer, ofereço trocas, barganhas na descrença. Aceito amealhar dúvidas. Enriqueço com as joias de Ofir!


A palavra do mestre ensinou aos bêbados e prostitutas no caminho. Não se esqueceu dos crédulos e dos incrédulos:


- Senhores! O que esperar desse inimigo no futuro? O que esperar do fim da morte? Não sabem? Muito mais que uma sentença. A morte sabe... Essa inimiga... Ele sabe da sua morte! A morte sabe que um dia morrerá. Quem há de matar a morte? Eu mesmo respondo com a verdade. A morte ouvirá o ecoar da palavra da vida. "Eis que fui morto e estou vivo pelos séculos dos séculos." Assim será o seu fim.


Assim será o vosso eterno recomeço. Essa é a verdade. A verdade faz sombra para essa esperança. Já a mentira não faz sombra nem para si mesma.

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