PRUDÊNCIA

Difícil aceitar que o único pecado do Jardim do Eden foi o comer de um fruto não especificado. O fruto proibido não é identificado, nem envolvido propositalmente em fatos detalhados pelo escritor do Genesis para deslocá-lo de um objeto concreto para a menção tão representativa quanto pedagógica.

A enigmática e intrusa serpente no Eden, por sua vez, revelou um dos pontos fracos na relação conjugal do primeiro casal bíblico.


Esqueçam que o erro induzido pela serpente foi a matriz de toda a tragédia e que ainda hoje toda a humanidade sofre as consequências. Eleger o ato do comer um fruto como primeiro passo dos efeitos mortais na vida humana, é nivelar a história bíblica às histórias em quadrinhos.


Porém, há graves erros no lar do primeiro casal que antecederam ao erro do comer do fruto proibido. Vale destacar: a omissão de Adão diante das constantes visitas da serpente. Houve uma atitude de reação protetiva por parte dele? Não.


É claro que Adão sabia das visitas indesejáveis da serpente. Mesmo assim, se limitou a receber as visitas de Deus diariamente. Não fez errado. Embora nisso demonstrou que, reuniões de trabalho importavam mais que a vigilância nos perigos que já rondavam o seu lar.


Deus não alertou a Adão para que ele tomasse providências. Ele mesmo, Adão, deveria entender qual o seu papel no contexto do lar. Eva fora criada para ajudar seu marido, segundo a Bíblia. Mas Adão, por sua vez, deveria cuidar de quem cuidava dele. Como? Um diálogo consciente, e ajudar Eva a se afastar e protegê-la de amizades dissimuladas, sedutoras e sutilmente mal intencionadas. Essa era a necessidade daquele momento.


Não é fácil falar em evitar amizades escondidas com pessoas casadas sob o risco de cair no discurso radical do preconceito ou algo do gênero.

O mais prudente, no caso de pessoas casadas ou comprometidas, é evitar amizades potencialmente destrutivas ou camufladas.


Gera uma grande discussão dentro de casa quando um dos cônjuges tenta convencer o outro que tal amizade pode prejudicar ou até destruir o relacionamento do casal. Geralmente um diálogo assim termina no desabafo.


"Você está me sufocando com os seus ciumes!"


A esposa pode também dizer:


"É um absurdo você me impedir de ter fulano como amigo!"


O marido e seu clássico argumento:


"Não tem nada a ver a minha amizade com ela!..."


Nessa discussão, o tempo tem o papel de descortinar no dia a dia, os pequenos males que podem anteceder um mal maior.


Se Adão tivesse conversado com Eva sobre a necessidade de evitar a amizade e diálogos suspeitos na sua ausência, possivelmente teria evitado a expulsão de casa e nem seria considerado hoje um cara ciumento, machista ou possessivo. Esses adjetivos são bandeiras da liberdade dos que não ampliam o entendimento na perspectiva da prudência, da proteção e da preservação do maior patrimônio - a vida conjugal.


Digo aos casados (ou compromissados): sejam mais amigos das suas companheiras! Esposas, sejam mais amigas dos seus maridos!


Pequenas atitudes quando justificadas podem soar cínicas. Torna difícil a classificação como inofensivas.


Por outro lado, proibir amizades quando não oferecem riscos à saúde conjugal, não é o caminho. É exagero. Mas esconder relacionamentos, ou esconder diálogos potencialmente inadequados, é o mesmo que esconder pequenos males que podem favorecer graves incidências, muitas vezes irreversíveis.

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