NO REINO DAS PALAVRAS IMPRESTÁVEIS

A palavra está se reduzindo ao nada prestável. Muitas palavras que não servem nem um pouco. A palavra maldita covardemente se esconde embaixo dos panos, violentando a coerência, desvirginando a sensatez, estuprando sentidos, fornicando verbos. Palavras sem ponto, nem vírgula. Sem consistência, nem consciência. Sem densidade, nem sensatez. Palavras insensatas são irresponsáveis. Vazias, torpes, ridículas, mentirosas. Palavras que agridem, ferem e matam. Palavras que dividem, espalham, desorganizam, confundem. Palavras com a cor do pavor; o terror. Vazia de rosas. Horrorosas! Palavras que nascem hipócritas. Nada gentis. Crescem palavrões. Não acrescentam, esquartejam. Palavras que desvirtuam, desviam, descontrolam, desencaminham. Vozes loucas; loucos. Palavras que reinam nos subterrâneos dos escravos mudos. Palavras sem conclusões. Palavras que não se importam com destinos. Desatinos.


No silêncio tudo germina. Fecunda introspecção. Nasce a sabedoria no silêncio da ponderação. Isso diz tudo. Ou quase tudo. O melhor é não dizer mais nada.

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