O ABRAÇO


Chega de mansinho, na ponta dos pés. Sem machucar o coração. Procura um lugar onde consegue ver olhares, ouvir segredos. Ouve prenúncios de gemidos... Não esconde a tentativa de disfarçar o arrepio da pele. O coração não resiste. Insiste em bater mais forte. A ansiedade mistura o abraçar com o querer nunca se afastar dos braços. Os olhares se cruzam num demorado lampejo. O frenesi seduz e induz ao desejo de chegar mais perto. O hálito quente se torna convidativo; gradualmente mais quente. A boca ousa deslisar entre o pescoço e as curvas do corpo. O corpo sugere, e pede mais descobertas. Já não há mais nada entre o desejo e a vontade. Os braços que convidavam, agora se abraçam. Deixou de ser vaga promessa de entrega. O calor dos corpos impedem o aproximar da fria distância. Distancia-se a indiferença no vazio. O sim soa forte num dueto com a revoada dos pássaros. O melhor no desequilíbrio é a passividade na lucidez. Até a necessária sensatez é vencida pela convidativa intensidade. Só o longínquo som da cachoeira diz ao desatino que o melhor é o cair na força do destino. A lucidez já não faz parte do curso desse rio. O rigor do não é vencido. A ternura do sim é fulgurante. Antes desajeitado, o ímpeto consegue achar a destreza. Pura intuição do desejo. Vencida foi a timidez. Agora nada como antes. O melhor de tudo se resume no abraço dos braços que levam consigo o eterno calor do amor.


Autor: JUDSON SANTOS

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