O MAL NÃO EXISTE

Alguns anos atrás lancei um livro onde percorri aspectos básicos e introdutórios na Teologia Clínica. Hoje observo que, o mal e o bem, esses assuntos jamais se esgotam. Só a edição do livro está esgotada.

Com o surgimento da pandemia - vírus mortal, voraz em escala mundial -, volto a me debruçar na Teologia Clínica. Ouso refletir um pouco e agora sobre o difícil conceito do mal e seus desdobramentos.

Antes, vamos mencionar, de passagem didática, o que define a linguagem. É impossível ignorar o viés do conjunto da compreensão do “mal” sem considerar o que é significante e o que é significado. Esses dois elementos da linguagem são oportunamente representativos.

Ao pronunciar a palavra mal, você reconhece no som, o que ela representa. O som da pronúncia, retrata a imagem. Nisso traduz o significante do termo “mal”. Isto é, quando você ouve a palavra “mal”, vem aos pensamentos, por exemplo, malignidade espiritual ou enfermidades. Ambos provenientes de processos e de ambientes constatados um na ciência, outro na teologia. Cada um classificado como “mal” a partir de um juízo de valor.

Já o significado se dá quando o conceito do termo não se refere somente a um mal particular, mas abrange amplamente uma soma, quase infindável, de eventos. Situações que favorecem a agressão da saúde física ou da vida espiritual. Dentro dessas diversidades, o natural e o espiritual levam ao adoecimento físico ou enfraquecimento espiritual.

No mal físico, a enfermidade é ativa na natureza viva biológica devido a oposição do mal à existência do bem estar. Não existiria doença se não existisse saúde. A oposição ao bem é um grande mistério que se esconde nos labirintos dos registros bíblicos e da ciência. Como também, não existiria saúde se não existisse a doença. Tal pessoa tem saúde, por quê? Aqui a doença sinaliza a presença da saúde. A saúde existe na consciência da provável doença. Sem esse sinal, a saúde não seria confirmada como um bem existente e resistente. A saúde precisa do mal para prevalecer na consciência do ser vivo a sua identidade. É um parâmetro destruidor, mas necessário na luta pela prevalência e sobrevivência da identidade da própria vida física.

Entrando um pouco mais no objeto em questão, o mal maligno é causa desejada pela elaboração da inteligência do ser em atividade. Por fim, torna-se ato consumado do desejo anteriormente pensado. Considere aqui o desejo autônomo do ser maligno, no uso ativo ou em respostas reativas. A liberdade é isonômica, própria da natureza maligna, que é autônoma.

Pelo lado da teologia, responsabilizar o mal estritamente ao diabo compreende em erro de percurso na análise e falha na interpretação dos fatos. O profeta Isaías registrou a confissão de Deus quando o próprio Deus assume a autoria da criação do mal. Esse texto de Isaías, capítulo 45 e verso 7, tem gerado celeumas, uma gama de conjecturas onde se sobressaem os advogados em defesa de Deus. Como se Deus deles precisasse.

O mal de Deus é extrínseco à sua natureza.

Tanto o mal benigno quanto o mal benigno, são identificadas no juízo do Espírito, conforme diz I Coríntios 2.16: Nós temos a mente de Cristo. Isso desafia a hermética teologia importada.

A teologia e o religioso, cometem graves erros quando estreita a autoria da ação do mal. Cometem graves erros quem somente o mal na inútil defesa do bem. A conclusão disso pode incorrer em probabilidades de acertos e de muitos erros. O mal é, também, circunstancialmente de autoria divina.

Entretanto, em Deus o mal não existe. Quando Deus “cria o mal”, trata-se de uma ação extrínseca; com propósitos.

Na dissociação ontológica com o (ser) eterno, o mal maligno se torna volátil, efêmero, manipulado e vencível. Segue como escravo cego em sua ação

O mal espiritual é desejo e ocorrência manifestadas e manipuladas, dentro de percursos históricos, dentro de particulares construções mentais.

Em natureza imanente, e muito diferente do mal, o bem coexiste intrínseco ao ser eterno. O bem é existente e imanente com seu “hospedeiro” das suas ações. Deus caracteriza como bem suas ações porque ele é bom. Deus é bom, e faz o bem. Logo, Deus é amor - isso resume a dinâmica vida de Deus, registrada na inspiração do discípulo João.

O bem é muito bem composto na unidade da pessoa divina. Identificável na pessoa divina. Coerente na personalidade do eterno. O mal é causa construída, posterior ao desejo do pensamento. É causa construída, sem existência perene. O bem é realidade constituída e construída, sim, porém, imanente e eterna na coexistência na vida do Eterno.

O bem é indivisível, invencível e imortal. Imortaliza-se e vence o mal efêmero quem apenas crer no bem da vida que é eterna.

Autor:

JUDSON SANTOS

10/05/20

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